Amor de Ursinho...

Ausente da obra de Homero, apenas com Hesíodo que o deus do amor surge, em meados do século VIII a.C., com grande destaque em sua obra; Eros era objeto de adoração em Téspias, na Beócia, terra natal do poeta - embora somente como elemento de fecundidade para o gado e no casamento. É em Hesíodo, portanto, que seu mito adquire universalidade, traduzido na sua obra Teogonia: dando encadeamento onde tudo teve uma origem, o poeta explica que no princípio tudo era o Caos e em seguida surgiram a Terra e o Amor - "criador de toda a vida".
A partir do Amor, Hesíodo pode finalmente traçar uma genealogia das divindades gregas de forma sistemática, e não mais um universo de mitos separados; Eros, o Amor, é a força de atração que viria a unir imortais e mortais; este caráter que o poeta lhe dá - de elemento de ligação - perpassa por toda a Teogonia, e como tal surgirá na obra de vários filósofos.
Na evolução do mito somente no período alexandrino o deus assume a forma de garoto travesso, um moleque atormenta a vida de mortais e imortais - Eros vira Cupido, deixando de ter suas dimensões cósmicas e é muitas vezes representado como um menino com asas, cujas flechas promovem as aventuras amorosas dos mortais.
Entretanto, já no século II da era cristã, o poeta romano Apuleio constrói o mito de Eros e Psiquê (a "Alma"), pleno de alegorias - nele a alma encontra a felicidade somente no Amor e, perdendo-o, enfrenta qualquer empecilho para reconquistá-lo. Pelos séculos afora a estória inspirou variados artistas, desde Giulio Romano a César Franck.

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