Amor...

Daqueles primórdios a civilização evoluiu para além do mero desejo sobre o objeto amado, fazendo com que sobre ele também pairasse o sentimento da ternura, a poesia passou a ter mais espaço sobre o desejo; Sófocles declara, assim, que "o amor faz o que quer dos deuses" e Eurípedes proclama em várias passagens o poder de Eros.
Além dos poetas, dramaturgos falam com frequência de rapazes apaixonados por moças e Aristóteles diz de "amantes que olham nos olhos da amada, nos quais o pudor habita" - mas quase sempre em relações pré-nupciais, não no casamento propriamente: o romantismo era-lhes, aos gregos, um tipo de "possessão maligna", uma sandice, e ririam de quem usasse tal sentimento como meio de escolha para o casamento.
Assim, o matrimônio fazia-se antes pelo dote, escolhido por meio de profissionais casamenteiros; uma mulher sem dotes raramente se casava, e a instituição servia tão-somente à perpetuação da família e do estado. Tão pouco convidativo era o casamento que após Péricles o número de homens solteiros tornou-se um problema; em 415 a.C. a lei permitia casamentos duplos, e foi o que fizeram Sócrates e Eurípedes; as concubinas eram aceitas.


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