Amor

Influenciado por Hesíodo, Parmênides (séc. VI a.C.), no seu poema Sobre a Natureza, coloca Eros como intermediário capaz de unir elementos conflitantes como Luz e Noite, no fundamento do universo. Também Empédocles, falando da força de atração a que Hesíodo nomeia de Amor, dá-lhe grande importância; o universo é fruto de duas grandes forças que agem sobre os quatro elementos primordiais (água, ar, terra e fogo): de um lado atua a Philia, o Amor, que aproxima os diferentes e, do outro, Neikos, o Ódio, que aproxima os iguais (fogo de fogo, terra de terra, e assim por diante); agindo com isonomia, essas forças deixam o universo em permanente tensão, uma força compensando a outra, de tal forma que o universo apresenta ciclos em que num dado momento Philia exerce domínio e, reagindo, Neikos se desenvolve até atingir por sua vez o ápice e provocar a reação da força oposta, e assim sucessivamente. Foi Platão, contudo, o filósofo grego que mais dedicou-se ao Amor, a tal ponto que este se constitui mesmo no centro da construção de seu pensamento. Em O Banquete ele apresenta a ascese erótica como um dos caminhos em que a pessoa possa ascender ao plano das ideias - o mundo verdadeiro do qual o plano material seria uma mera imitação. Ali a figura de Eros conduz a alma a contemplar a beleza partindo da beleza física até atingir a contemplação de todo o belo.
É neste diálogo que Platão apresenta a origem de Eros, em narrativa onde Sócrates o dá como sendo filho de Pênia - a Pobreza, e de Poros - o Recurso, gerado no dia em que o Olimpo comemorava o nascimento da deusa da Beleza - Afrodite, de quem o amor por isto seria eterno companheiro. E, herdando as características da mãe (a penúria) e do pai (a riqueza), terá sempre caráter duplo: a carência permanente e índole andarilha maternas, e a coragem e energia paternas que o tornam caçador esperto em sua busca do Belo e do Bom - e não apenas, será mortal e imortal, ora nascendo, enriquecendo e finalmente minguando e desaparecendo, para depois renascer. Da mãe o Amor não herdou sabedoria, senão a sede pelo conhecimento: Eros ama a Sabedoria. Também ali Platão coloca Aristófanes, célebre comediante, a engendrar a teoria de que na criação todos os seres humanos tinham formas duplicadas (com duas cabeças, quatro braços, etc.) mas, como castigo por haverem desafiado os deuses, foram separados e sofriam à busca de sua outra metade, levando então Zeus a criar Eros, que permitia aos homens encontrarem sua metade e, assim, amenizarem seu sofrimento.

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