Corações

O termo amor cortesão surgiu com Gaston Paris, no final do século XIX, para designar a forma de amar expressa nas canções dos trovadores do século XII da região de Languedoc, onde teria se originado.
Suas regras teriam origem em Ovídio (no seu Ars Amatoria), na poesia árabe ibérica e no platonismo, embora guardem realmente caracteres do ambiente palaciano no qual se desenvolveu - e pressupõem uma série de normas que formam uma espécie de código a ser obedecido.
Por este código o homem deveria demonstrar seu valor, sua coragem, para merecer da amada uma recompensa, que deveria ser razoável - pois a dama deveria obrigatoriamente a ela aquiescer, sob pena de ser taxada de cruel e desalmada.
Havia, contudo, o componente de que o objeto do amor - a mulher amada - deveria ser inatingível, quer por a dama ocupar uma posição social mais elevada, quer por já se encontrar comprometida ou, mais raramente, até mesmo ser casada.
Este seria o "verdadeiro amor", em contraste com o "falso amor", onde haveria falsidade nas declarações e na devoção, ciúmes indevidos ou inconstância nos sentimentos.
Da região de origem, no Languedoc, se espalhou ao sul até a Itália, e ao norte, em França, alcançando também a Portugal - onde é lapidar a obra Amadis de Gaula, de Vasco de Lobeira. Este era o livro de cabeceira de Dom Quixote, personagem de Miguel de Cervantes que veio a zombar desse amor ideal, e assim selar o fim da cavalaria e seus códigos morais; apesar disto as narrativas cavalheirescas perduram no tempo. 

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